Eu tenho um nome sem rima
E mesmo que ele rimasse
Seria a mais no poema.
Eu quero olhar para o mundo
Com os olhos de antigamente,
Sem nada pedir em troca.
Caminho pausadamente
Numa procissão de sonhos
E estranha melancolia.
Sinto que algo renasce
Em mim, a cada manhã:
Uma esperança sem pressa,
Que ao anoitecer se perde,
Para ressurgir mais pura.
Eu também tenho uma gula,
Um pecado sem perdão,
Um sentimento incompleto,
Um ressentimento vão.
Sei pouca coisa da vida.
Entendo que o mundo é grande,
Maior que a minha janela.
Percebo que a vida é breve
Mas muito maior que o mundo.
E que o amor, mesmo eterno,
Cabe inteiro num segundo.
Não quero falar de coisas
Maiores que o meu poema.
Não posso, o poema é pouco
Para as dores e alegrias
Que eu venho acumulando.
Pois mesmo que a dor não fuja,
Sempre permite um sorriso.
Assim eu vou caminhando.
Até na rocha mais dura,
A mão sempre grava um verso
Mesmo que seja invisível.
Não sei falar de viagens,
Política, filosofia,
Lutas, heróis invencíveis...
Eu sou apenas poeta.
Embora simples, pequena
Essa é minha poesia.
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