sexta-feira, 7 de junho de 2013

O ENCONTRO



Lá num subúrbio distante
Onde quase ninguém vai
Além de seus moradores
Ou algum desesperado
Buscando ilícita alegria,
Mora um dos personagens
Da nossa pequena história.

Acorda no fim da tarde
Se olha, se lava e sai.
Vai calado no coletivo.
Não ri, não fala, não canta.
Não entende porque vai
Fazer o que sempre faz
Será pelo pagamento?

Ninguém quer saber seu nome.
Se sofre, se é feliz.
Se tem sonhos, se tem amigos,
Se já pensou em morrer,
Se quer ir pra faculdade,
Se quer ser ator de filmes...
Ninguém quer saber de nada.

Lá numa aldeia encantada
Onde a vida é quase um sonho.
Onde os carros são conversíveis
Onde há piscinas, ginástica
E caminhadas noturnas.
Alguém também se levanta
E sai sem destino certo.

E vai como se roubasse.
Cauteloso, desconfiado
Atrás da película escura.
O que veio do subúrbio
Agora desinibido
Desfila, canta, e sorri.
Promove o corpo na esquina.

E os dois então, se encontram.
E ali, na porta do carro
Vão acertando os detalhes
Do encontro que se inicia.
Sem perguntas, sem respostas,
Sem passado, sem futuro
Os dois servem-se, um do outro.   

      
 
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário