Eu carrego algumas coisas no meu peito.
Lembranças de parentes, de episódios, de encontros e desencontros.
Quando a noite não amanhece
E a dor invade as manhãs
É lá, no meio destas coisas que eu me refugio.
Estando lá, encontro outras coisas que nem sabia que carregava.
Outro dia, encontrei um colégio.
Colégio Monsenhor Carneiro.
Eu estudava em colégio municipal, queria ir para o Monsenhor.
Era como se fosse a Federal de hoje.
Quando lá cheguei, me senti o tal.
O inconveniente era o Conga.
Os filhos dos "ricos", usavam kichute, filho de salineiro usava Conga.
O que era pior, as meninas usavam Conga.
Encontrei também algumas pessoas queridas,
Que estavam lá no meu coração, escondidinhas.
D. Almira, professor Anchieta, Robson, meu amigo de farras.
Muitos, muitos amigos que permanecem comigo, como eram.
O mundo é de aparências e as aparências se perdem, com o tempo.
No meu coração o tempo não passa.
Tudo fica lá, guardadinho, sem mudanças, o tempo não corrói.
D. Luzia, continua sendo a eterna diretora do Monsenhor,
Com sua voz inconfundível, seu andar miudinho e sua calma interminável.
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