Todo dia quando eu ia pra escola,
Sonolento, ele ainda vigiava.
O sol com preguiça despertava
O seu bom dia era claro como o sol.
O guarda era primeira cara amiga
Que eu via a cada amanhecer.
A sua barriga enorme
Seu uniforme marrom
Em nada se parecia
Com um grande e velho revólver
Que carregava no quarto.
Foi numa segunda-feira.
Ao percorrer meu caminho
De longe, avistei o guarda.
Deitado, o olhar sem vida
Fitava o indefinido.
Um fio de sangue puro
Nascia em seu coração
Escorria no peito inerte
E formava um imenso lago
Onde o sol se refletia.
Da loja nada levaram.
Somente o velho revólver
Impune e sem piedade
Corria outros caminhos
Furtando vidas e sonhos.
Depois, li no jornal:
O coitado tinha cinco filhinhos.
Pensei nas criancinhas chorando
Na hora do enterro.
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