domingo, 26 de maio de 2013

COMOVIDO


Nos dias em que a poesia me abandona
Eu quase me perco de mim, quase esqueço as lembranças.
Nestes dias, tenho medo.
Busco a linha que se distancia conforme me aproximo.
Fecho os olhos e sigo tateando o tempo, com mãos cegas.

Sou uma velinha acesa, num canto da sala,
Para uma alma qualquer, desconhecida.
Sou aquela areinha que fica presa na bainha da roupa.
Sou os lençóis coarando no lombo das pedras,
A pescaria de piabas com iscas de miolo de pão...
Minha avó na porta da rua, a batucadinha que ela levava nos dedos.
Depois, minha avó na sala, coberta de lençóis e flores

A poesia não retorna, permaneço só.
As imagens estão em mim, mas não se movimentam...
Tudo é um infinito mundo branco, vazio(?)
Alguma coisa me sufoca o peito,
Transborda pelos meus olhos, gestos...enche meus sonhos!
Não se concretiza em cores...
Tomo mais um conhaque, quero dormir.
Não durmo.    

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