domingo, 28 de abril de 2013

ANTIGAMENTE



Na minha terra morrer é um ato metódico.
A morte pode até ser à-toa.
Porém, depois da morte, tudo tem sua ciência.
Fala-se baixinho pela casa para não perturbar o morto.
Todos entram na sala apertada, olham e saem cabisbaixos.
Será que estão chorando?
Não se sabe.
As crianças ficam de longe, será que sofrem?
Quando sai o enterro, o sino da igreja toca pausadamente.
Durante muito tempo, pensei que o sino fosse mágico.
 
O cemitério é sempre distante, numa elevação qualquer.
No longe, se vê o desenho das cruzes das igrejinhas.
Um morto de família rica sempre tem sua igrejinha.
Os pobres têm plantinhas e flores que nascem do coração em decomposição.
A gente sente falta dos parentes, mas sabemos que eles estão bem, descansando.
Quando a saudade aperta muito e temos medo de não aguentar.
Acender velas, pintar as igrejinhas, regar as plantinhas
São as formas de conversar com eles.  

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