Nas inesperadas curvas dos cinquenta,
descobri algo em mim que suspeitava
já está em mim, desde o inicio.
Uma tristeza, quase dor, em cada verbo
uma vontade crescente de calar
uma quase indiferença com os heróis.
Os caminhos estão intransitáveis.
Os clubes, as ruas, as igrejas
estão cheias de heróis e faltam homens.
Os carros não levam homens
Levam os heróis e seus projetos.
Seus projetos de pós-modernidade.
Os heróis não morreram de overdose
comem alface, fazem exercício e protestam.
Os heróis são ridículos em seus discursos.
Mesmo sem querer, tenho que aceitá-los
assim como aceito os políticos, os homicidas,
a Bossa-nova, a Tropicália e outras bobagens.
Quando a noite cai como uma âncora
Os heróis adormecem e a vida é quase possível.
No entanto, infelizmente, ainda renascem.
Em vão todos os estudos,
em vão todas as guerras,
em vão os segredos das pirâmides.
Os heróis não carecem disso.
Os heróis são feitos de nada
um nada fingido, com aparência de tudo.
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