Quando eu quero ver eu fecho os olhos.
De olhos fechados eu vejo.
A silhueta magra,
o brilho dos dentes quando sorria,
a indecisão do corpo
ofertado como uma maçã.
Quando eu quero sentir eu fecho os olhos.
Aí eu sinto o cheiro de alfazema,
de suor e de outros fluidos corpóreos.
O perfume imaginado
Inunda a tarde que finda.
Quando eu quero ouvir eu fecho os olhos.
Escuto a voz que corta a noite
como uma lâmina afiada.
Que divide a vida em duas
como quem divide uma fruta madura.
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