Antes eu achava que escrevia o que eu era,
Que as minhas palavras falavam de mim, do meu lugar, do meu povo.
Descobri, com o tempo, que escrevo o que não sou.
Como não sei cantar o presente,
Todo meu canto é memória
E a minha memória é toda sonho.
Tenho poucas habilidades.
Não sei cozinhar, não sei dançar,
Nunca fui bom nos esportes...
O que sei mesmo é lembrar.
Às vezes, lembro de coisas que nunca vi.
Quando lembro, escrevo.
Entre uma palavra e outra, ficam os silêncios.
É lá, nesses pequenos espaços que eu me escondo,
É lá que guardo meus sonhos, minhas memórias e descubro quem sou.
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