quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

UM SINO

No domingo, a missa da manhã começava às nove.
O sino tocava três vezes antes da missa.
Chamava os fiéis desatentos.
Padre Amadeo me escolheu para tocar o sino.

Eu marcava o tempo e corria.
Lembro das escadas gastas
Lembro do vôo dos morcegos
Lembro do cheiro dos anos acumulados.

Tocava o sino com devoção,
Como quem rezava.
Descia as escadas purificado.

Não sei se ainda há o velho sino.
Não sei se ainda toca antes da missa.
Porém, quando as palavras são insuficientes,
Quando os enigmas revelam-se inúteis,
Um sino toca no coração do menino.      

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