Hoje eu vi num poema
Que este mundo em que vivo
É um mundo pós-poético.
Um mundo pós-poesia.
E eu fui dormir confuso
Sem vontade de acordar.
Poesia é tempo perdido?
É papel jogado fora?
São noites desperdiçadas?
É vida desperdiçada?
Comida que ninguém come?
Eu abri minha gaveta
Tinha revólver, veneno
Faca, maconha, remédio
E corda de se enforcar.
No meio de tanta coisa
Encontrei um analgésico.
Eu nem sei que nome tinha.
Sei que brilhava igual verso
Botei na boca e engoli.
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