domingo, 29 de setembro de 2013

EU QUERO UMA FLOR

Quando eu for embora
Se não for incômodo
Que façam barulho.

Não barulho louco
Que perturba a paz
Daqueles que ficam.

Mas barulho simples
Comum de quem vive
Assobio, canção...

E se for possível
Mesmo já sem tempo
Me tragam uma flor.  

Na cidade incauta
Nas coisas da morte 
Não existem flores?

Tentarei sorrir
Mesmo que não tenha
Permissão pra isso.

Quem feliz viveu
Que possa sorrir
No momento vil?

Antes que eu parta
Dê-me esta alegria.
Eu quero uma flor.

Não flor de mentira
Que fica encaixada
Numa geladeira.

Quero flor real
Daquelas pequenas
Sem nome, sem grife

Que não dura muito
Mas que se eterniza
No olho que vê.
   

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