segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ELE AINDA VIVE

Como quem espera alguém
Que com certeza virá
Eu esperei a justiça. 
Mas a justiça não veio.
E vi o fraco morrendo
E o injusto rindo.

Ainda assim, esperei 
Pelo confronto final.
A luz apagando as trevas
O bem derrotando o mal.

Andei nos campos, nas ruas
Vivi esperando a guerra
Que traria a redenção
Mas a tal guerra não veio.

Eu então gritei bem alto
Para o mundo inteiro ouvir.
Que a justiça era morta
Que o mal sempre triunfava
Que a ética era nada
E o amor, teoria...

E quanto mais eu gritava
Quanto mais forte queria
Mais o silêncio falava
E nada me respondia.

E a minha voz tão pouca 
Já quase se arrefecia.
Então fui baixando, aos poucos,
Toda aquela cantoria.

Meu grito quase lamento
Minha voz quase canção
Se é choro, reza, hino
Ou minha última oração
Já nem sei dizer.

Hoje o meu canto é pequeno
Não ecoa longe, não é sinfonia.
É baixo, piano, ínfima melodia.
E para escutá-lo
Para compreendê-lo
Temos que colar 
O ouvido no chão
No chão infecundo
Do meu coração.
Aí percebemos, 
Ele ainda vive.
       
 

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