Como quem espera alguém
Que com certeza virá
Eu esperei a justiça.
Mas a justiça não veio.
E vi o fraco morrendo
E o injusto rindo.
Ainda assim, esperei
Pelo confronto final.
A luz apagando as trevas
O bem derrotando o mal.
Andei nos campos, nas ruas
Vivi esperando a guerra
Que traria a redenção
Mas a tal guerra não veio.
Eu então gritei bem alto
Para o mundo inteiro ouvir.
Que a justiça era morta
Que o mal sempre triunfava
Que a ética era nada
E o amor, teoria...
E quanto mais eu gritava
Quanto mais forte queria
Mais o silêncio falava
E nada me respondia.
E a minha voz tão pouca
Já quase se arrefecia.
Então fui baixando, aos poucos,
Toda aquela cantoria.
Meu grito quase lamento
Minha voz quase canção
Se é choro, reza, hino
Ou minha última oração
Já nem sei dizer.
Hoje o meu canto é pequeno
Não ecoa longe, não é sinfonia.
É baixo, piano, ínfima melodia.
E para escutá-lo
Para compreendê-lo
Temos que colar
O ouvido no chão
No chão infecundo
Do meu coração.
Aí percebemos,
Ele ainda vive.
Nenhum comentário:
Postar um comentário