Quando descobri o amor
Ele era diferente.
O amor tocava no rádio.
Era uma canção comprida
Que mesmo que fosse alegre
Ocultava uma tristeza.
O amor era sempre triste.
Alegria, contentamento...
Essas coisas existiam,
Mas o amor era outra coisa.
O amor era sempre triste.
E era bom ficar triste.
Tomar cerveja escondido
Não comer, escrever cartas
Chorar de amor nos caminhos
Ficar em casa trancado...
Estar doente de amor.
E quando o amor se encontrava
Numa praça, atrás de um muro
Nada parava o amor.
E eram tantos os beijos
E eram abraços tantos
Quase chegava a doer.
E era bom sentir dor.
Eram as dores do amor.
Às vezes, quando o amor
De forma incompreensível,
Ultrapassava os limites
De onde o amor pode ir
O amor vencia a morte.
Era bom morrer de amor.
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