O passo leve nas pedras
Silenciava os ruídos,
Era como se voasse.
E a voz que me chamava
Eu entretido, nem via!
Ouvia os passos nas pedras.
E as histórias de visagens
O meu medo e o seu sorriso,
Tudo agora ressurgindo.
A tua masca de fumo
Ainda perfuma a tarde
Nas frestas da terra crua.
Teus olhos para a mulata
Que limpava a camarinha
E a mulata sorria.
Minha avó e a sua ira
Fitando o fruto inocente
Que denuncia teu ato.
Quando ninguém te olhava
Tudo em ti era carinho
E o pequenino sorria.
E depois de tantos anos
Eu recebo minha parte:
A solidão e a calvice.
Herança que me diverte,
Torna possível o diálogo
De avô, de neto, de amigos.
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