A poesia é uma virgem impura.
Impura por que não tem pudores
Frequenta conventos, prostíbulos e casas de família.
É a luz que se esconde nos cantos escuros.
Atrás dos móveis, nos quartos abandonados e nos corações que não tomam sol.
Depois de muito buscar
Encontrei uma utilidade para a poesia.
Uma utilidade sagrada e talvez inútil nos dias de hoje.
É a utilidade da consolação.
A poesia é uma virgem.
Impura virgem consoladora dos aflitos.
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