Há algo em mim que transborda
E fica por onde passo.
Fica no ônibus, na rua
No prato, resto de sopa,
Rastro, impressão, cheiro, imagem.
Fica no aperto de mão
No cabelo que se solta
Na ausência de palavra
Na fala, na indecisão...
Sempre o mesmo asco, sempre.
Mesmo quando tomo banho,
Visto roupa de sair
Lavo a boca, me perfumo
Ainda assim deixo algo
De sujo em tudo que toco.
E que substância é essa
Que tenho, tão abundante?
Que escorre pelo meu corpo
E suja os livros que leio
E cobre o chão onde piso?
Será apenas o medo?
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