terça-feira, 16 de julho de 2013

CONSTRUÇÃO




Da incandescência do branco
Nasce o verso, flor de pedra
Inquieta, bruta... cascalho!?

Os dedos da inconsciência
Areiam a torpe matéria,
Buscam a essência do branco.

Tarefa indigna, sem soldo
Maior que parcas e poucas
Migalhas, no fim do dia.

A imaginação, cansada
De limar, quase esmaece
Mas se renova e persiste.

Na fase elaborativa
A palavra, ainda impura
Transita entre flor e fezes.

No coarador, perde o cheiro.
O sol queima as impurezas
É faca de lâmina fina

Duplas faces indistintas
E gume, verso navalha.
Já não cheira, já não fede

Porém corta a carne viva
Do tempo e da hipocrisia
E dói, feito câncer, chaga

Aberta na vida branca.
Ferida exposta, incômoda
Cicatriz, flor...poesia.     






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