Da incandescência do branco
Nasce o verso, flor de pedra
Inquieta, bruta... cascalho!?
Os dedos da inconsciência
Areiam a torpe matéria,
Buscam a essência do branco.
Tarefa indigna, sem soldo
Maior que parcas e poucas
Migalhas, no fim do dia.
A imaginação, cansada
De limar, quase esmaece
Mas se renova e persiste.
Na fase elaborativa
A palavra, ainda impura
Transita entre flor e fezes.
No coarador, perde o cheiro.
O sol queima as impurezas
É faca de lâmina fina
Duplas faces indistintas
E gume, verso navalha.
Já não cheira, já não fede
Porém corta a carne viva
Do tempo e da hipocrisia
E dói, feito câncer, chaga
Aberta na vida branca.
Ferida exposta, incômoda
Cicatriz, flor...poesia.
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