quinta-feira, 27 de junho de 2013

VÁRIOS




Sou um ser feito de partes
Desses que vendem nas feiras
E a gente monta em casa.

Sou gravata, sou sapato
Sou calça, blusa, boné...
Sou vontade de dormir.

Sou obrigação de amar
Amar, amar e esquecer.
Para depois mais amar!

Luto uma guerra perdida
Com as armas que possuo:
A palavra, a gravata, o gesto.

Na luta, não tenho trégua.
Luto no trânsito, na festa
Na mesa, à hora do almoço.

Se saio despedaçado,
Se falta um braço, uma perna
O coração, uma vontade...

Sempre surge a esperança
Que uma mão sem maldade
Venha remontar meu ser.

E assim sigo pra rua.
A mesma mão que faz versos
Beija tuas nádegas nuas.    

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