Sou um ser feito de partes
Desses que vendem nas feiras
E a gente monta em casa.
Sou gravata, sou sapato
Sou calça, blusa, boné...
Sou vontade de dormir.
Sou obrigação de amar
Amar, amar e esquecer.
Para depois mais amar!
Luto uma guerra perdida
Com as armas que possuo:
A palavra, a gravata, o gesto.
Na luta, não tenho trégua.
Luto no trânsito, na festa
Na mesa, à hora do almoço.
Se saio despedaçado,
Se falta um braço, uma perna
O coração, uma vontade...
Sempre surge a esperança
Que uma mão sem maldade
Venha remontar meu ser.
E assim sigo pra rua.
A mesma mão que faz versos
Beija tuas nádegas nuas.
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