O sertão não é geográfico
Não é terra, não é lugar.
O sertão é um sentimento
Que nasce sem ter motivo
E define uma existência.
Um jeito de ver as coisas,
Um riso, um modo de andar.
Os limites do sertão
Não estão lá, depois da serra.
Descem na curva do rio
Rompem barragens e pontes
E entram dentro do mar.
Vão dá em terras distantes
Lá pelos confins da terra.
Os limites do sertão
Não é o galo cantando
Quando fabrica a manhã.
Nem o café fumacento
Nem o som da cantoria
Nem abôio, nem vaquejada
Nem a saudade que dói.
Os limites do sertão
Atravessam o mar sem fim
E invadem outro continente.
E os sertanejos de lá
Tem os olhos diferentes
A cor da pele, o sotaque
Mas sofrem da mesma dor.
Uma dor doída, insistente
Que sufoca o coração.
Quando o sereno da noite
Frio, derrete a paixão.
A mesma dor diluída
Numa alma sertaneja
Transforma tudo em canção.
Enquanto houver sofrimento
E paixões sem amanhã
Aqui, na África, na China
O sertão persistirá
No peito do sertanejo
Como algo inexplicável
E assim será, para sempre.
Os limites do sertão
Não constam de mapa algum.
São eternos, são infinitos.
Patativas e Arianos
Cavaleiros incansáveis
Que trocam espadas com o vento
E lutam, todos por um.
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