Ontem, eu ouvi um galo que cantava na madrugada.
Cantava sozinho, sem eco, sem companhia.
O seu canto se perdia entre os prédios,
Batia no muro da fábrica, que não dorme.
Um pouquinho deste canto esfiapado
Entrava em meu coração que não dormia.
Quando o som da rotina matutina,
Apitos, motores, às vezes, tiros lá pra bandas da favela,
Engolia o canto do galo,
Ele, inocentemente, cantava de novo.
E assim, a madrugadinha se prolongava.
Ele não tem a esperança vã que outros galos,
Venham se juntar a ele na tarefa árdua de tecer a manhã.
Não, ele não sabe de nada.
Porém, não desiste.
A única coisa que ele sabe é de uma estranha alegria
Que um galo sente quando canta.
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