sábado, 28 de fevereiro de 2015

ETERNIDADE

Meu avô não conhecia Beethoven,
Meu avô, na verdade, não ouvia música.
Mas aprendera, na imensidão da infância
Assobiar uma velha canção.

Na lida do dia-a-dia
Na pausa, após o almoço
Nas caminhadas, nas voltas...
Assobiava a canção.

Hoje, quando estou sem rumo
Quando a tarde me transporta
Quando o tempo não circula
Escuto a velha canção.

E assim, sem explicação
Lá fundo, no meu peito,
Eu entendo perfeitamente
O que é a eternidade.   
    

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