Há dias que acordo seco.
Levanto, faço minhas abluções, tomo café...
Sem nenhuma intenção poética.
Nem uma gota sequer de metafísica.
Saio para caminhar um pouco.
Nestes dias de vida longa
Caminhar é quase uma lei.
Um grupo de "desocupados",
Ocupa-se em preparar comida na praça
Numa panela negra de tisna.
As pessoas tem marcas negras nos rostos.
Porém, os olhos são azuis.
As almas, não se sabe,
Estão ocultas no azul dos olhos.
Lembram os vagabundos de Cannery Row,
Lembram os retirantes de Graciliano,
Lembram "Os miseráveis".
A poesia que estava oculta se estabelece.
A praticidade desaparece.
Os carros passam indiferentes,
Indiferentes, os pardais voam e pousam e voam.
O poeta poderia voar, inocentemente.
No entanto, a poesia se estabelece.
E a manhã já não é a mesma,
O poeta já não é o mesmo,
A vida já não é a mesma.
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