Eu tenho um amigo avesso a cores indefinidas.
Para ele, branco é branco, preto é preto
E azul é o céu.
Os diversos tons de cinza
Hoje, tão apreciados
Não falam, não aparecem.
Ele não sabe que quando o tempo muda
E os trovões invadem os corações
E os rios e as lagoas transbordam
E a água invade o mar
E o vento é tão frio que as almas congelam
As palavras, as coisas, os conceitos se misturam.
Ordenadas e abcissas não mais sabem onde ficar.
Os eixos confundem-se.
O mais infinito troca de lugar com o zero.
Então, descobre-se que a matemática também cuida das coisas inexatas.
Que existem inequações, parábolas e números complexos.
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