Não, eu não participei da luta armada.
Eu nem sei direito que luta foi esta.
Eu sei que houve uma luta.
Enquanto lutavam, eu provavelmente,
Matava passarinhos, pescava piabas e lia as histórias do Tarzan.
Não, eu não fui exilado num país qualquer da América do sul.
Eu não tinha conhecimento das lutas de classes.
Eu até tinha medo dos comunistas.
Só depois, eu já homem feito, conheci seu Getúlio
Único comunista da minha cidade.
Não, eu não vivi essas coisas.
Porém, eu sei que todo homem sofre da mesma dor.
A dor da existência.
E nas tardes de outono
Quando o mundo se faz melancólico
E uma quase que tristeza percorre os corações que ainda não endureceram
E um silêncio quase que de morte invade homens
E eles removem os ossos de seus mortos
E uma poeira de séculos cobre as xícaras, as mesas e as almas,
Eu procuro um verso que me salve desta hora.
E como eu não participei da luta armada
Não vivi as lutas de classes
Não tive amigos exilados
Eu busco meu verso em mim mesmo.
Nas pescarias, nas caçadas e nas leituras das histórias de Tarzan.
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