Antes, era o silêncio.
Não havia a falta, a carência, os desejos...
Os seres completos, em completa sintonia,
Não tinham expectação.
Como uma sombra líquida
Que inundava os espaços,
A eternidade estava em tudo.
Então, um raio de sol, ou luz, ou palavra, ou vida
Surgiu na eterna ordem.
E era luz transgressora.
Foi penetrando nas coisas,
Nas montanhas, nas pessoas
E tudo fez-se o que é.
Foram surgindo as vontades,
A falta, a incompletude,
O desespero, a busca,
O encontro fugaz, o medo...
A necessidade do outro
Para a minha afirmação.
A ciência do ignorado,
A inconsciência do antes,
O não-saber do depois,
A dúvida de cada instante.
O próprio instante.
Esse mistério tão claro
Que eu não ouso compreender.
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