As verdades em que acredito são as que eu invento.
Estas me pertencem, sei de onde vieram, quando nasceram
E sei que nunca morrerão, enquanto eu viver.
As outras, que estão por aí
Histórias, lugares, pessoas...
Nestas, eu não acredito.
Não acredito porque não são minhas.
A poesia é minha verdade favorita.
É nela que me refugio de mim mesmo.
É minha poesia quem me convence de que sou alguma coisa,
Alguma coisa na mesma categoria das coisas que servem para poesia.
Homens perdidos, terrenos baldios, monturos esquecidos, sorrisos inexplicáveis...
Às vezes, acusam-me de plágio, que a minha poesia não é minha.
Isso me deixa satisfeito.
É a prova de que consegui me esconder.
Esconder das verdades que invadem minha existência
E conviver com as minhas, que invento, todos os dias.
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