sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SOBRE PALAVRAS E SONHOS

Há dias em que sei que sou louco.
Falo sozinho, caminho a esmo, rio sem motivo algum.
Nestes dias, tenho o poder do encantamento.
Fico invisível, faço as pessoas desaparecerem
Para depois, aparecerem noutros lugares.

Quando estou assim, para disfarçar minha loucura
Invento de catar palavras.
Saio procurando nos lugares onde sei que elas se escondem.
Reviro monturos, levanto pedras, removo lembranças. 
Leio velhos cadernos de quando eu menino,
Olho figuras rabiscadas em pedaços de papel esquecidos
E assim, vou enchendo os bolsos com as palavras que encontro.
Quando meus bolsos se enchem eu volto pra casa.
Arrumo todas as palavras sobre a mesa da sala.
Aí passo dias conversando com elas.  

As palavras não vem na forma gráfica que os livros trazem.
Não, as que eu junto vem em forma de objetos, coisas.
São cacos de vidro, tampas de garrafas, pedaços de barbantes
Ou olhares, sorrisos, desenhos de nuvens, lembranças...
Então, depois de um tempo, 
Quando recobro a sanidade que talvez eu tenha
Vou cuidar das minhas palavras
E com elas, construir meus sonhos.       
  

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