domingo, 13 de outubro de 2013

AINDA FALANDO DE AMOR

Mesmo depois das guerras,
Mesmo depois do terrorismo,
Da violência banal que se espalha
Feito boiada estourada
E já nem se disfarça mais,
Eu ainda falo de amor.

Mesmo depois dos suicídios, genocídios
E da caça ao mal,
Onde o mal é o caçador,
Eu ainda falo de amor.

Mesmo depois que as palavras
Tornaram-se artefatos inúteis
E assim, inúteis como pedras, paus, restos de comida,
Tênues fiapos de homens
Ganharam utilidades para a poesia.
Eu ainda falo de amor.

Eu ainda quero o amor.
Não o amor arrebatador, dos filmes.
Não o amor eterno, dos sonhos.
Mas o amor diário, dos homens.
O amor suficiente para viver.


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