Hoje amanheci inundado.
Meu peito quase estala de tão cheio.
Meus olhos faiscam
Minhas mãos não param quietas
Querem tocar, sentir, colocar as coisas em ordem.
Meu coração está desordenado.
Amanheceres amarelados, serras azuis, cordilheiras intermináveis
Misturam-se em meu coração.
Tenho que escrever.
No papel, vou ordenando as coisas.
Coloco os amanheceres sozinhos.
Possuem um brilho tão forte
Que ofuscariam as demais.
As serras azuis ficam lá longe, depois das pedras.
As cordilheiras são imaginárias, mantenho-as comigo.
Tirei de uma aula de D. Almira.
Nunca mais me separei delas.
"Cordilheira dos Andes", às vezes, escondo-as no quintal
Depois do pé de cajazeira.
Agora tudo está mais calmo
As coisas foram escritas.
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