terça-feira, 11 de junho de 2013

DESERTO



Hoje a poesia foi embora, eu fiquei só.
Procuro em todos os lugares onde ela se esconde sempre.
Não encontro.
Vou até ao quintal, morada da poesia.
Ela também se faz ausente.
Não a ausência falta, mas a ausência saudade.
De quem saiu sem avisar.
A torneira pinga.
Pingos d'água somente.
Nem uma gotinha sequer de poesia.
A sombra, embaixo da cajazeira está sem ninguém.
Nem rima, nem ritmo, nem palavra...
O cuspe de minha avó no barro do terreiro
A "peia" de fumo que ela levava à boca
Tudo é um deserto só.
Um deserto imenso que seca meu coração.
Careço urgentemente de um vento, uma brisa que seja
Para refrescar meu coração. 

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