sexta-feira, 26 de abril de 2013

LINHA DA SOMBRA



Quando inicio a jornada
Na estrada de cada dia,
O mundo, ainda sem nome
Carece do meu olhar.
Não se vislumbra os mistérios
Ocultos de cada coisa.
Carros, prédios, bois, sorrisos...
Tudo é o que se vê.
No entanto, na busca infame
Que inicio quando acordo
E continuo quando durmo
Não sei quando, não sei quando
A sombra enfim se dissipa
E surge a luz, como um bálsamo.
Então, as coisas se tocam
Suavemente se enlaçam.
Girão no ar feito nuvens.
O informulado e o possível
Nascem da mesma palavra
Ocupam o mesmo lugar.
E as imagens que formam-se
De cada réstia de luz
É a poesia que existe
No espaço, em mim, no meu peito
Depois, quando a luz se apaga.
   

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