Tenho pensado bastante em o que é poesia. Não consigo formular uma definição clara ou pelo menos satisfatória. Imagino a poesia como um encontro. Quando o texto e o leitor se esbarram, o primeiro ganha vida e o segundo surpreende-se e aí nasce a emoção, o sentimento. Não necessariamente bom ou ruim, mas um sentimento. Então, o leitor quando se agrada da emoção experimentada, quer revivê-la e então, relê o texto. Por isso, todas as vezes que lemos um texto sentimos novamente aquela emoção, assim como quando ouvimos uma música ou vislumbramos uma paisagem.
O encontro poético entre o leitor e o verso, dar-se de forma semelhante ao que se dar entre o paladar e a maçã. Antes da mordida que provoca a emoção do sabor, o sabor não existe. Assim se dar a emoção da poesia. O verso precisa do leitor para ganhar vida. Sem o fenômeno da leitura o verso está morto, morto e esquecido nas páginas de algum livro ignorado no fundo de alguma gaveta. Quando o encontro acontece, leitor e texto poético juntam-se e dessa união quase carnal surge a poesia, viva, incorruptível e absolutamente imprescindível.
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